A ativista da causa transexual, Cristiane Stefanny Venceslau, conhecida como ”Cris Stefanny”, debochou da manutenção da condenação do vereador Rafael Tavares (PL). A decisão do ministro Alexandre de Moraes praticamente obrigou o bolsonarista a desistir de disputar as eleições para deputado federal.
Stefanny comentou que Tavares foi condenado por crime de ódio, sem citar que fora uma piada e que os próprios interlocutores entenderam o comentário dele, em 2018, como uma anedota. Mesmo assim, o chamou de transfóbico e racista.
”Não poderá ser candidato este ano por isso. Que dó!”, debochou Cris. Ela observou que gostaria que a situação fosse diferente, em que Rafael usasse o mandato de parlamentar municipal para combater todas as formas de discriminação.
A transexual citou que a negativa do recurso do vereador veio pelo ministro Alexandre de Moraes, a qual chamou de ”amigo” e ”Xandão”.
Questionado sobre as críticas da transexual, o vereador respondeu com uma pergunta:
”Quem é Cris Stefanny?”. Na sequência, disse que está acostumado com a militância o chamando de ”fascista”, ”racista” e ”nazista”.
”Fico bravo mesmo quando me chamam de petista”, disparou Tavares.
Desistência
Nesta segunda-feira (20), o vereador bolsonarista foi às redes sociais retirar a pré-candidatura dele à Câmara Federal. A justificativa é que, caso dispute a eleição sob uma medida liminar, poderia prejudicar o partido.
Tavares disse ao TopMídiaNews que já tinha acertado a vaga de candidato com o presidente nacional do PL, Valdemar da Costa Neto, ainda em abril de 2026. Ele atribui a condenação à perseguição política a agentes públicos de direita.
”A República do ‘Bostil’ é um País que pune piadas como se fossem crimes e julga os crimes como se fossem piadas”, desabafou Tavares.
”Não vou disputar as eleições com risco de ter os votos anulados, pois eu prejudicaria toda a direita e a chapa de candidatos do PL.
Não vamos desistir de lutar pelo Brasil, esse ano é guerra”, avisou.
Processo
À época dos fatos, 2018, Rafael era apenas um militante de direita que celebrava a ascensão de Jair Bolsonaro. Ele fez um post irônico para rebater críticas ao então candidato, que afirmavam que ele seria uma pessoa contra negros e homossexuais.
Apesar da fala irônica, um denunciante acionou o Ministério Público e o ativista foi condenado por discurso de ódio nas redes sociais. A justificativa é que Tavares não usou emojis – figurinhas – para alertar os usuários de que aquilo seria uma ironia.
Tavares foi condenado em várias instâncias da Justiça, sempre tendo recursos negados.
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